A dor dilacerante deleita-se no despedaçar dum coração.
Despojado, despede-se dos bons tempos de outrora e caminha em direção ao exílio que sempre lhe foi fiel.
A dor dilacerante deleita-se no despedaçar dum coração.
Despojado, despede-se dos bons tempos de outrora e caminha em direção ao exílio que sempre lhe foi fiel.
Tempo = Tudo – Eu.
Perguntado sobre o tédio, responde:
“O tédio é expressão da insensibilidade frente à exuberância do devir.”
Queria escrever a derradeira poesia,
Que por fim diria
O que é o amor.
Desvairo de poeta.
Tal sentimento é tão grande,
Em palavras não lhe cabem o semblante.
Em nome da liberdade,
Tomamos de assalto
As possibilidades da vida.
Arrebatamos-lhas de seu verdugo,
Profanando o templo da serenidade.
Despedindo-nos, então,
De toda a certeza de outrora.
Da batalha, voltamos extasiados.
A diversidade, brilhando como um sol,
Iluminava o caminho do novo homem.
E então veio a noite,
Axioma inexorável da vida.
Incautos, percebemos que lua já não estava lá.
Havíamos profanado o deus que a conjurava.
E é então que percebemos
Que não só de dia vive o homem.
E nas noites gélidas e tenebrosas,
Que não deixam de vir,
Precisamos do calor da certeza
Que há tanto deixamos para trás.
Sábio é aquele que cultiva a serenidade,
Pois que a vida fugaz
leva à incerteza mordaz
Do que será do amanhã.
Nada se falou entre nós.
Apenas olhares carregados de lamúria e aflição por não se entender o que havia passado.
Era como se os momentos de felicidade tivessem tornado-se opacos à nossa memória.
Mas, mais obscuro ainda era o que ocorreu que mudou repentinamente a euforia à depressão.
Lutávamos.
Lutávamos para criar uma linha de raciocínio que nos levasse fora do labirinto.
O silêncio é quebrado.
Palavras que clamavam serem ouvidas são pronunciadas.
Do caos nasce a certeza.
Certeza essa que só se obtém no mais completo desamparo.
O que se ouviu foi: “Eu te amo.”.
Lembrei-me hoje do abraço apertado,
Beijo suado e olhar abrilhantado, que me destes com afeto e ardor.
Das risadas e gargalhadas, naquela alegria ébria e insensata dos amantes apaixonados.
E senti o peito acanhar-se de saudades,
Ao perceber a cama vazia e meu corpo solitário, no torpor da noite.
Assim fico a esperar-te,
Como espera um exilado que anseia por re-encontrar o seu longínquo amor.
Oh! Mnemosine, por que não deixaste-me beber do Lethe?
Não vês o meu desejo de encarnar-me em mim mesmo,
Rejuvenescido, despido de culpa e temor?
Por que insistes em fazer rebentar o passado a tanto velado,
Emergindo lamúrias, amarguras e angústias que tanto quero olvidar?
Mas eis que esqueço que não só eu deveria bebê-lo,
Pois que o passado que m’atormenta não é o que minh’alma experimenta.
Mas sim o de quem tenho tanto apreço e que tanto desconheço,
Que quando dele me apeteço, sinto a dor e temor..
Verdadeiro desejo,
É desvendar teus segredos;
Penetrar em teus anseios;
Te fazer sorrir.
Pois que tua felicidade
É condição de prosperidade;
Objeto de minha vontade;
A saber, o meu porvir.
Tudo que quero é dar-te um beijo,
Quem sabe assim cumprir meu desejo
De te fazer feliz.